{"id":49703,"date":"2023-05-08T09:00:23","date_gmt":"2023-05-08T12:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/?p=49703"},"modified":"2023-05-08T09:00:23","modified_gmt":"2023-05-08T12:00:23","slug":"bienal-de-arquitetura-de-veneza-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/bienal-de-arquitetura-de-veneza-2023\/","title":{"rendered":"Bienal de Arquitetura de Veneza 2023: o Brasil no evento"},"content":{"rendered":"<p>A Bienal de Arquitetura de Veneza 2023 \u00e9 um dos maiores eventos de design e arquitetura do mundo. Essa \u00e9 a 18\u00aa Mostra de Arquitetura (18 MIA), que acontece na It\u00e1lia entre 20 de maio e 26 de novembro.<\/p>\n<p>Com o nome original de La Biennale di Venezia Architettura, a bienal de 2023 tem como tem\u00e1tica <em>O Laborat\u00f3rio do Futuro<\/em>. Como protagonista, o continente africano, considerado o ber\u00e7o da humanidade.<\/p>\n<p>Contudo, diferentes pavilh\u00f5es poder\u00e3o ser visitados durante a Bienal de Arquitetura de Veneza 2023. Entre eles, um espa\u00e7o dedicado ao Brasil, com curadoria de nomes nacionais: Gabriela de Matos e Paulo Tavares.<\/p>\n<h2>Bienal de Arquitetura de Veneza 2023 lan\u00e7a olhar sobre o futuro<\/h2>\n<p>A partir das origens, ou seja, do continente africano, a Bienal de Arquitetura de Veneza 2023 lan\u00e7a um <a data-type=\"LINK\" href=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/revestimento-do-futuro-ceramica\/\" target=\"_blank\"><u>olhar sobre o futuro<\/u><\/a>, com perspectivas e tend\u00eancias que devem ser vistas no mercado nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Essa busca pela ancestralidade visa trazer n\u00e3o s\u00f3 novas est\u00e9ticas, mas tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o de um futuro com mais <a data-type=\"LINK\" href=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/sustentabilidade-social\/\" target=\"_blank\"><u>igualdade e justi\u00e7a<\/u><\/a>.<\/p>\n<p>Afinal, a \u00c1frica ainda \u00e9 um continente que sofre com quest\u00f5es de equidade e ra\u00e7a. Mas, apesar de serem colocados na condi\u00e7\u00e3o de \u201cminoria\u201d por muita gente, na verdade t\u00eam povos e territ\u00f3rios minorizados. Ou seja, s\u00e3o maioria global, mas sofrem preconceitos que os colocam em posi\u00e7\u00e3o de inferioridade.<\/p>\n<p>Na Bienal de Arquitetura de Veneza 2023, a ideia \u00e9 desfazer esse conceito. Para isso, foram convidados diversos profissionais, que mergulharam na proposta da exposi\u00e7\u00e3o para imaginar um futuro diferente.<\/p>\n<p>Ao longo da exposi\u00e7\u00e3o, poder\u00e3o ser vistas diversas discuss\u00f5es. Incluindo temas como pol\u00edticas, conflitos, terras, fronteiras, culturas, identidade, globaliza\u00e7\u00e3o e migra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E \u00e9 por meio dos eventos organizados por institui\u00e7\u00f5es internacionais que os visitantes poder\u00e3o ver como esse novo futuro se concretiza na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Afinal, os profissionais convidados experimentaram, buscaram pela diversidade e v\u00e3o mostrar tudo na Bienal de Arquitetura de Veneza 2023.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das exposi\u00e7\u00f5es, o evento tamb\u00e9m vai contar com iniciativas voltadas para a educa\u00e7\u00e3o. Elas englobam escolas, universidades, profissionais, fam\u00edlias, empresas, visitantes e amantes das artes.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 poss\u00edvel participar de iniciativas individuais ou em grupo, o que vai permitir o envolvimento com a tem\u00e1tica da Bienal de Veneza. De maneira geral, elas se dividem em passeios e oficinas\/intera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h2>Pavilh\u00e3o brasileiro tem curadoria de nomes nacionais<\/h2>\n<figure class=\"gh-styles-m__figureContainer\" style=\"float: undefined;text-align: center\"><img decoding=\"async\" alt=\"Bienal de Arquitetura de Veneza 2023\" class=\"gh-styles-m__figureContainer-image\" height=\"auto\" src=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/BienaldeArquiteturadeVeneza2023curadores-scaled.jpeg\" title=\"\" width=\"100%\" \/><figcaption class=\"gh-styles-m__figureContainer-caption\"><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align:center\"><em>Gabriela de Matos e Paulo Tavares s\u00e3o os curadores do pavilh\u00e3o do Brasil (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Funda\u00e7\u00e3o Bienal de S\u00e3o Paulo)<\/em><\/p>\n<p>A Bienal de Arquitetura de Veneza 2023 tem curadoria de Lesley Lokko. Ela \u00e9 arquiteta e acad\u00eamica, al\u00e9m de uma romancista ganense-escocesa.<\/p>\n<p>Seu nome foi escolhido gra\u00e7as \u00e0 experi\u00eancia acerca do tema, o que torna o evento ainda mais enriquecedor.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, Lesley fundou o African Futures Institute (Gana). Trata-se de uma escola de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em arquitetura, al\u00e9m de uma plataforma para receber eventos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A curadora tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o da Graduate School of Architecture em Joanesburgo (\u00c1frica do Sul). Sem falar que j\u00e1 lecionou em pa\u00edses africanos, al\u00e9m de europeus e nos Estados Unidos. Gra\u00e7as a essa contribui\u00e7\u00e3o no ramo da educa\u00e7\u00e3o, Lesley recebeu v\u00e1rios pr\u00eamios.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da curadoria da Bienal de Arquitetura de Veneza 2023 em si, h\u00e1 profissionais respons\u00e1veis pelos conte\u00fados de partes espec\u00edficas da exposi\u00e7\u00e3o. No pavilh\u00e3o do Brasil, por exemplo, foram convidados Gabriela de Matos e Paulo Tavares.<\/p>\n<p>A escolha n\u00e3o poderia ser diferente. Afinal, os dois arquitetos contribuem com di\u00e1logos que envolvem quest\u00f5es como ra\u00e7a, cultura, g\u00eanero e pedagogia.<\/p>\n<p>Para o pavilh\u00e3o do Brasil, foi escolhido o nome \u201cTerra\u201d. E \u00e9 a partir desse <a data-type=\"LINK\" href=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/decoracao-natural\/\" target=\"_blank\"><u>material org\u00e2nico<\/u><\/a> que se desenvolve a base do pa\u00eds. Seja em concep\u00e7\u00f5es ou imagin\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a terra remete ao pertencimento, ao cultivo, ao direito e \u00e0 repara\u00e7\u00e3o. Sem falar em outros pontos do imagin\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n<h2>Saiba como vai ser o pavilh\u00e3o do Brasil<\/h2>\n<figure class=\"gh-styles-m__figureContainer\" style=\"float: undefined;text-align: center\"><img decoding=\"async\" alt=\"Bienal de Arquitetura de Veneza 2023\" class=\"gh-styles-m__figureContainer-image\" height=\"auto\" src=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/pavilhaodobrasilbienaldeveneza-scaled.jpeg\" title=\"\" width=\"100%\" \/><figcaption class=\"gh-styles-m__figureContainer-caption\"><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align:center\"><em>Cachoeira Iauaret\u00ea \u00e9 uma das inspira\u00e7\u00f5es para o pavilh\u00e3o Terra (Foto: Vincent Carelli)<\/em><\/p>\n<p>Assim como no caso do tema central da Bienal de Arquitetura de Veneza 2023, o pavilh\u00e3o do Brasil tamb\u00e9m lan\u00e7a um olhar sobre o passado do pa\u00eds para projetar um futuro melhor.<\/p>\n<p>Contudo, isso acontece por meio da terra. Ela serve como base para filosofias e narrativas tanto de povos ind\u00edgenas quanto afro-brasileiros. Afinal, s\u00e3o eles os grandes respons\u00e1veis pela constru\u00e7\u00e3o da cultura brasileira.<\/p>\n<p>Portanto, no pavilh\u00e3o do Brasil a abordagem vai al\u00e9m dos territ\u00f3rios e das demarca\u00e7\u00f5es de terras em si, passando tamb\u00e9m por geografias culturais. Dessa forma, a terra aparece no pavilh\u00e3o tanto de forma po\u00e9tica, como literalmente.<\/p>\n<p>Todo espa\u00e7o foi aterrado, demonstrando moradias ind\u00edgenas, quilombolas e sertanejas, al\u00e9m de terreiros de candombl\u00e9.<\/p>\n<p>Um grande impacto visual e cultural poder\u00e1 ser percebido logo na entrada do pavilh\u00e3o. Afinal, os elementos dessas moradias aparecem em contraste com o pr\u00e9dio moderno da Bienal de Arquitetura de Veneza 2023.<\/p>\n<p>A entrada ainda traz elementos como os gradis, que s\u00e3o muito usados em diversas <a data-type=\"LINK\" href=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/a-historia-e-as-caracteristicas-da-arquitetura-nordestina\/\" target=\"_blank\"><u>cidades brasileiras<\/u><\/a>. Eles s\u00e3o s\u00edmbolos de <em>sankofa<\/em>, um sistema de escrita conhecido como Adinkra, dos povos a\u00e7\u00e3, da \u00c1frica Ocidental.<\/p>\n<p>Quem passar pela Bienal de Arquitetura de Veneza 2023 vai poder conferir duas galerias com a tem\u00e1tica brasileira. Confira mais detalhes na sequ\u00eancia.<\/p>\n<h3>Primeira galeria<\/h3>\n<p>Com o nome de \u201cBras\u00edlia Territ\u00f3rio Quilombola\u201d, a primeira galeria leva a reflex\u00e3o sobre a constru\u00e7\u00e3o da <a data-type=\"LINK\" href=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/destinos-de-arquitetura\/\" target=\"_blank\"><u>capital brasileira<\/u><\/a>.<\/p>\n<p>Isso porque, para existir, povos ind\u00edgenas e quilombolas precisaram ser removidos, tal como acontecia desde o per\u00edodo das Bandeiras.<\/p>\n<p>Empurrados para periferias, esses povos fazem parte do retrato do <a data-type=\"LINK\" href=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/deixe-seu-lar-mais-moderno-com-essas-tendencias-retro\/\" target=\"_blank\"><u>modernismo no pa\u00eds<\/u><\/a>, revelando a complexidade, a diversidade e a pluralidade brasileira.<\/p>\n<p>No espa\u00e7o da Bienal de Arquitetura de Veneza 2023, o contraste entre as periferias e a cidade moderna ser\u00e3o revelados por meio de uma obra audiovisual, a sele\u00e7\u00e3o de fotografias de arquivo, um mapa etno-hist\u00f3rico do Brasil, al\u00e9m de um mapa de uma Bras\u00edlia quilombola.<\/p>\n<h3>Segunda galeria<\/h3>\n<figure class=\"gh-styles-m__figureContainer\" style=\"float: undefined;text-align: center\"><img decoding=\"async\" alt=\"Bienal de Arquitetura de Veneza 2023\" class=\"gh-styles-m__figureContainer-image\" height=\"auto\" src=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/bienaldearquiteturadeveneza.jpeg\" title=\"\" width=\"100%\" \/><figcaption class=\"gh-styles-m__figureContainer-caption\"><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align:center\"><em>Terras ind\u00edgenas e quilombolas tendem a ser mais preservadas (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Funda\u00e7\u00e3o Bienal de S\u00e3o Paulo)<\/em><\/p>\n<p>Ao seguir pelo pavilh\u00e3o do Brasil, ser\u00e1 poss\u00edvel chegar aos \u201cLugares de Origem, Arqueologias do Futuro\u201d. Por l\u00e1, come\u00e7a a proje\u00e7\u00e3o de dois v\u00eddeos.<\/p>\n<p>Em seguida, mem\u00f3rias e arqueologia da ancestralidade s\u00e3o reveladas. Ent\u00e3o, projetos e pr\u00e1ticas socioespaciais come\u00e7am a ser demonstrados a partir do conhecimento de ind\u00edgenas e afro-brasileiros. Afinal, eles det\u00eam grande conhecimento sobre terra e territ\u00f3rio, tendo muito a ensinar.<\/p>\n<p>Isso fica claro a partir de pesquisas cient\u00edficas que comprovam que seus territ\u00f3rios s\u00e3o os mais preservados do Brasil.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da Bienal de Arquitetura de Veneza 2023, h\u00e1 outras maneiras de entender como levar a cultura nacional para a decora\u00e7\u00e3o. <a data-type=\"LINK\" href=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/brasilidade-na-decoracao\/\" target=\"_blank\"><u>Saiba como inserir a brasilidade no design e na arquitetura<\/u><\/a>!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pavilh\u00e3o do Brasil na Bienal de Arquitetura de Veneza 2023 tem como tema a Terra. O elemento aparece tanto como poesia quanto literalmente no espa\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":49775,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-49703","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dicas-pointer"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49703","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49703"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49703\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49776,"href":"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49703\/revisions\/49776"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49775"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49703"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49703"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49703"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}