{"id":42880,"date":"2020-06-11T15:00:02","date_gmt":"2020-06-11T18:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/?p=42880"},"modified":"2020-06-11T13:56:14","modified_gmt":"2020-06-11T16:56:14","slug":"rodrigo-ambrosio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/rodrigo-ambrosio\/","title":{"rendered":"Rodrigo Ambrosio: da rapadura \u00e0 casca do sururu"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">O designer Rodrigo Ambrosio conquistou reconhecimento internacional com a Cadeira Engenho, produzida em 2015 com 50 quilos de rapadura do \u00fanico engenho ainda em funcionamento em Alagoas. O alagoano questionava: o que nos alimenta? Essa inquieta\u00e7\u00e3o em encontrar respostas e, por consequ\u00eancia, explorar novas finalidades mat\u00e9rias-primas inusitadas faz parte da ess\u00eancia do seu trabalho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Filho de pai portugu\u00eas e m\u00e3e alagoana, ele teve desde a inf\u00e2ncia tanto a oportunidade de olhar para o futuro, quanto o contato com saberes ancestrais, principalmente, da cultura nordestina. Ambrosio \u00e9 formado em arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal de Alagoas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Recentemente, ele encontrou no projeto do Cobog\u00f3 Munda\u00fa a chance perfeita para explorar sua inquieta\u00e7\u00e3o, utilizando a casca do sururu, molusco tradicional em Alagoas, para a produ\u00e7\u00e3o de design. \u201cO processo se mant\u00e9m importante. Mas o produto se potencializa quando tem a import\u00e2ncia de estar no mercado\u201d. Parceira nesse projeto, a Pointer far\u00e1 a distribui\u00e7\u00e3o nacional do produto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em entrevista exclusiva \u00e0 Pointer, com quem compartilha a origem alagoana, o designer Rodrigo Ambrosio fala sobre a carreira, apresenta pistas sobre os seus novos experimentos e destaca a import\u00e2ncia de projetos como o Cobog\u00f3 Munda\u00fa para a sociedade.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_42881\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-42881\" class=\"size-large wp-image-42881\" src=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/15-_WLF4003-1024x708.jpg\" alt=\"Rodrigo Ambrosio na comunidade do Vergel\" width=\"1024\" height=\"708\" srcset=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/15-_WLF4003-1024x708.jpg 1024w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/15-_WLF4003-300x207.jpg 300w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/15-_WLF4003-768x531.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-42881\" class=\"wp-caption-text\">Rodrigo Ambrosio, Marcelo Rosenbaum e a equipe da Pointer na comunidade do Vergel durante a cria\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o do Cobog\u00f3 Munda\u00fa<\/p><\/div>\n<p><b>POINTER &#8211; Seu pai \u00e9 portugu\u00eas e sua m\u00e3e alagoana. Como voc\u00ea avalia a influ\u00eancia da sua origem no seu trabalho?<\/b> <span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><b>RODRIGO AMBROSIO<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> &#8211; Antigamente, os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos chegavam primeiro na Europa. Meu olhar voltado ao futuro teve uma influ\u00eancia muito grande de Portugal e Espanha, dois pa\u00edses que frequentei. Essa foi uma chance que meus pais me proporcionaram, a liga\u00e7\u00e3o com outras culturas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 em Alagoas eu mantenho contato muito forte com as culturas da ess\u00eancia, do feito a m\u00e3o, da parte que envolve um olhar mais voltado \u00e0 natureza, algo mais r\u00fastico. Nesse meio termo \u00e9 que eu me formo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>POINTER &#8211; Ainda \u00e9 poss\u00edvel manter o mesmo m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o utilizado ancestralmente, com as mesmas caracter\u00edsticas? Ou a mistura de culturas, como na sua trajet\u00f3ria, impede o purismo no artesanato e no design?<\/b><\/p>\n<p><b>RODRIGO AMBROSIO<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> &#8211; N\u00e3o existe esse purismo, ao menos na minha realidade, por mais que \u00e0s vezes a gente tente delimitar isso. O hibridismo \u00e9 bom. Tem artesanato no Brasil e na Europa, mas os materiais mudam, o olhar muda, o refinamento \u00e0s vezes muda, a forma de enxergar muda. Por isso eu acho interessante ter essas duas experi\u00eancias na minha forma\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa coisa do purismo j\u00e1 foi um dilema na minha vida. \u00c0s vezes, na visita a uma comunidade, eu tentava enxergar um purismo que n\u00e3o existia. E que bom que n\u00e3o existe, pois enriquece o trabalho.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_42882\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-42882\" class=\"size-large wp-image-42882\" src=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/AMBROSIO_retrato_03-1024x683.jpg\" alt=\"Ambrosio em a\u00e7\u00e3o\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/AMBROSIO_retrato_03-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/AMBROSIO_retrato_03-300x200.jpg 300w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/AMBROSIO_retrato_03-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-42882\" class=\"wp-caption-text\">Trabalho de Rodrigo Ambrosio tem forte liga\u00e7\u00e3o com a cultura nordestina\u00a0\/ Arquivo: Rodrigo Ambrosio<\/p><\/div>\n<p><b>POINTER \u2013 Ent\u00e3o voc\u00ea considera boa a mistura de culturas e conhecimentos?<\/b><\/p>\n<p><b>RODRIGO AMBROSIO<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 Voc\u00ea conhece Espedito Seleiro (artes\u00e3o renomado que produz elementos da cultura vaqueira)? Todo mundo reconhece o tra\u00e7o dele. Mas aquilo foi trazido pelos portugueses, que receberam aquilo da arte moura, aqueles arabescos. Portanto, chegou pelos \u00e1rabes em Portugal e depois aqui, atrav\u00e9s dos portugueses. Uma arte genuinamente do mestre, mas que vem fragmentada e vai sendo constru\u00edda.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu falava com muita propriedade e defendia o purismo, mas ele n\u00e3o existe. O que existe s\u00e3o v\u00e1rios fragmentos de cultura. O filtro \u00e9 o importante. No caso, o Espedito Seleiro que \u00e9 importante, pois filtrou essas inspira\u00e7\u00f5es e colocou a sua vis\u00e3o, que era do av\u00f4, depois passou para o pai, que fazia as roupas do canga\u00e7o, e hoje as sand\u00e1lias que ele produz t\u00eam esse formato, com elementos do passado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tudo \u00e9 formado dessa maneira. Acho que o purismo \u00e9 mais comercial.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_42883\" style=\"width: 707px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-42883\" class=\"size-large wp-image-42883\" src=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/27-_WLF4156-697x1024.jpg\" alt=\"Ambrosio pesquisando sobre o sururu\" width=\"697\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/27-_WLF4156-697x1024.jpg 697w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/27-_WLF4156-204x300.jpg 204w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/27-_WLF4156-768x1128.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 697px) 100vw, 697px\" \/><p id=\"caption-attachment-42883\" class=\"wp-caption-text\">Alagoano, Rodrigo Ambrosio j\u00e1 pesquisava poss\u00edveis utiliza\u00e7\u00f5es da casca do sururu<\/p><\/div>\n<p><b>POINTER \u2013 Voc\u00ea \u00e9 formado pela Universidade Federal de Alagoas, na qual tamb\u00e9m foi professor. Como foi essa sua experi\u00eancia?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>RODRIGO AMBROSIO<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Eu me formei no final de 2007 em Arquitetura e Urbanismo. Em 2012, eles criaram o curso de Design e encontraram uma dificuldade muito grande para conseguir professores. Fizeram um concurso e eu me candidatei. Mas me limitava muito com rela\u00e7\u00e3o ao tempo. Eu j\u00e1 desenvolvia muitas identidades visuais, alguns projetos arquitet\u00f4nicos e algo inicial ligado a produto. Hoje, o design de produto est\u00e1 mais forte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa experi\u00eancia foi muito boa. Na \u00e9poca, eu percebi a necessidade dos alunos em questionar o professor. Eu pedia ent\u00e3o que cada um trouxesse uma novidade sobre uma inova\u00e7\u00e3o ou algo curioso. Assim, voc\u00ea coloca os alunos como protagonistas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um fato curioso: eu era o professor mais novo e, por isso, me confundiam muito com aluno. Por duas vezes o seguran\u00e7a me barrou no estacionamento achando que eu era estudante.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ali\u00e1s, ensinar \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o familiar. Eu venho de uma fam\u00edlia de professores: minha bisav\u00f3, minha av\u00f3 e minha m\u00e3e, que foi a primeira professora universit\u00e1ria. Ela deu aula de biologia e depois se tornou auditora.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_42884\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-42884\" class=\"size-large wp-image-42884\" src=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ARAPUCA_banco_revisteiro_02-1024x683.jpg\" alt=\"banco arapuca\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ARAPUCA_banco_revisteiro_02-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ARAPUCA_banco_revisteiro_02-300x200.jpg 300w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ARAPUCA_banco_revisteiro_02-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-42884\" class=\"wp-caption-text\">Banco Arapuca criado por Ambrosio com corda n\u00e1utica\u00a0\/ Arquivo: Rodrigo Ambrosio<\/p><\/div>\n<p><b>POINTER \u2013 E a paix\u00e3o pelo design e pela cria\u00e7\u00e3o? Tamb\u00e9m \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>RODRIGO AMBROSIO<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 Aqui s\u00e3o todos curiosos, muito questionadores. \u00c0s vezes, os atritos ocorrem por isso (risos). Nessa quarentena aproveitei para relembrar a inf\u00e2ncia. Eu tentei identificar o que me agravada na \u00e9poca para eu poder passar uma experi\u00eancia melhor e mais intensa em determinados momentos para o meu filho, que vai nascer.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu sempre tive esse lado da curiosidade, de misturar materiais. Eu gostava de desenhar, pintar. Ao brincar de carrinho, era mais importante fazer a pista do que a competi\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m pintava aquarela. Em Portugal, para eu ficar quieto, tinha uma senhora que me ensinava v\u00e1rias t\u00e9cnicas. Com 9 anos eu era uma crian\u00e7a que pintava, que gostava de fazer exposi\u00e7\u00e3o. Eu tinha pressa. Hoje em dia n\u00e3o tenho mais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por isso, fui procurar um curso que tinha o vi\u00e9s art\u00edstico, criativo. Eu pensei em fazer Desenho Industrial. Na \u00e9poca n\u00e3o se chamava Design ainda. Mas, talvez por comodismo, ou para ter uma profiss\u00e3o mais ampla, eu me formei em Arquitetura e Urbanismo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>POINTER \u2013 E a cria\u00e7\u00e3o de produtos, como entrou na sua vida?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>RODRIGO AMBROSIO<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 Eu sou insistente, eu fa\u00e7o da minha maneira at\u00e9 conseguir. O produto foi assim. Alagoas n\u00e3o tem tradi\u00e7\u00e3o nenhuma com design de produto, at\u00e9 porque n\u00e3o tem oportunidade e demanda. Ent\u00e3o fui para S\u00e3o Paulo, para aprender e tamb\u00e9m para divulgar.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_42885\" style=\"width: 693px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-42885\" class=\"size-large wp-image-42885\" src=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ARATACA_cadeira-683x1024.jpg\" alt=\"Cadeira Arataca\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ARATACA_cadeira-683x1024.jpg 683w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ARATACA_cadeira-200x300.jpg 200w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ARATACA_cadeira-768x1152.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><p id=\"caption-attachment-42885\" class=\"wp-caption-text\">Cadeira Arataca \u00e9 mais uma das cria\u00e7\u00f5es de Rodrigo Ambrosio \/ Arquivo: Rodrigo Ambrosio<\/p><\/div>\n<p><b>POINTER \u2013 Mas o artesanato \u00e9 muito tradicional em Alagoas. O que falta ent\u00e3o por l\u00e1?<\/b><\/p>\n<p><b>RODRIGO AMBROSIO<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 Em Alagoas, o artesanato \u00e9 muito vasto e rico, \u00e9 um resumo do nordeste em termos de materiais. Entretanto, se o artesanato n\u00e3o tiver um olhar contempor\u00e2neo, a tend\u00eancia \u00e9 acabar, pois antigamente ele n\u00e3o era feito de uma maneira comercial.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Veja o caso do \u00edndio. Ele fazia o cesto de cip\u00f3 para um objetivo determinado, que eu chamo de fun\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Com o passar do tempo, as facilidades, os materiais modernos e as pessoas que vieram com outros conhecimentos possibilitaram facilidades nesse uso, substituindo esse cesto.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O \u00edndio deixou de usar o cesto de cip\u00f3 porque viu uma maneira mais simples de transportar, mas ele ainda det\u00e9m o conhecimento ancestral e a produ\u00e7\u00e3o. E tamb\u00e9m precisa de renda, j\u00e1 que n\u00f3s monetizamos tudo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Agora, o \u00edndio tem que entender que ele pode vender o cesto de cip\u00f3, mas aquilo tem que ter um olhar contempor\u00e2neo, j\u00e1 que o produto vai para a arquitetura de interior, com outro valor. A fun\u00e7\u00e3o do objeto mudou. Voc\u00ea tem aqui uma transposi\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o, de fun\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_42886\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-42886\" class=\"size-large wp-image-42886\" src=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/CRO\u00c1_cesto_MAM_SP-1024x683.jpg\" alt=\"Cesto Cro\u00e1 de Rodrigo Ambrosio\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/CRO\u00c1_cesto_MAM_SP-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/CRO\u00c1_cesto_MAM_SP-300x200.jpg 300w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/CRO\u00c1_cesto_MAM_SP-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-42886\" class=\"wp-caption-text\">Cesto Cro\u00e1 de Ambrosio faz parte do acervo do Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo \/ Arquivo: Rodrigo Ambrosio<\/p><\/div>\n<p><b>POINTER \u2013 Ent\u00e3o os objetos n\u00e3o perdem a utilidade, mas mudam de fun\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>RODRIGO AMBROSIO \u2013<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Eu acredito que tudo tem uma fun\u00e7\u00e3o, mas algumas coisas possuem uma fun\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica. Um santo, por exemplo. Ele traz um conforto. A fun\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o ser f\u00edsica, mas \u00e9 psicol\u00f3gica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O arco e flecha n\u00e3o tem mais a fun\u00e7\u00e3o de matar um animal, porque hoje \u00e9 mais pr\u00e1tico comprar a carne em uma bandeja que j\u00e1 vem do abatedouro. Mas ele ainda mant\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o de guerreiro, as lendas, \u00e9 o s\u00edmbolo de Ox\u00f3ssi, o orix\u00e1 guerreiro da floresta. As coisas mudam de fun\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>POINTER \u2013 Mas como trazer esses produtos para a nossa realidade, para o mercado consumidor?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>RODRIGO AMBROSIO \u2013 <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 preciso estar pr\u00f3ximo das pessoas que consomem esses produtos. As empresas conseguem fazer essa liga\u00e7\u00e3o entre o produtor e o consumidor atrav\u00e9s da sua estrutura, aproveitando os pontos de venda e o contato direto com arquitetos, designers de interior e clientes. Essa participa\u00e7\u00e3o das empresas faz girar a roda da comunidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O processo do artes\u00e3o se mant\u00e9m importante. Mas o produto se potencializa quando ele chega ao mercado, fechando o ciclo. Isso \u00e9 algo que retornar\u00e1, monetizar\u00e1 aquilo para a comunidade. Os profissionais t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o social de fazer essa ponte, de levar o elemento para uma grande empresa com abrang\u00eancia.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_42887\" style=\"width: 938px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-42887\" class=\"size-full wp-image-42887\" src=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pointer-ambrosio-1.jpg\" alt=\"Cobog\u00f3 Munda\u00fa\" width=\"928\" height=\"619\" srcset=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pointer-ambrosio-1.jpg 928w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pointer-ambrosio-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pointer-ambrosio-1-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 928px) 100vw, 928px\" \/><p id=\"caption-attachment-42887\" class=\"wp-caption-text\">Cobog\u00f3 Munda\u00fa, cria\u00e7\u00e3o que contou com a participa\u00e7\u00e3o de Rodrigo Ambrosio<\/p><\/div>\n<p><b>POINTER \u2013 Ent\u00e3o as empresas s\u00e3o elos importantes nesse ciclo, em uma economia circular?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>RODRIGO AMBROSIO \u2013 <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Isso, porque as empresas est\u00e3o na ponta e possuem uma estrutura organizacional para fazer esse movimento. E o mercado acaba reconhecendo quem est\u00e1 unindo esses elos da cadeia. \u00c9 um papel que vai al\u00e9m do comercial, que d\u00e1 exemplo. Veja o caso da Pointer com o Cobog\u00f3 Munda\u00fa. A partir desse exemplo, outras empresas podem olhar para as suas comunidades e potencializar outras a\u00e7\u00f5es, cada um no seu segmento.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_42888\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-42888\" class=\"size-large wp-image-42888\" src=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/66-_WLF4380-1024x683.jpg\" alt=\"Ambrosio e Rosenbaum\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/66-_WLF4380-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/66-_WLF4380-300x200.jpg 300w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/66-_WLF4380-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-42888\" class=\"wp-caption-text\">Amizade de Ambrosio e Rosenbaum come\u00e7ou em projeto no Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo<\/p><\/div>\n<p><b>POINTER \u2013 Por falar no Cobog\u00f3 Munda\u00fa, como surgiu o convite para participar do projeto?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>RODRIGO AMBROSIO \u2013 <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">A minha rela\u00e7\u00e3o com o Marcelo Rosenbaum come\u00e7ou em 2015. Ele era o curador do clube de colecionadores do MAM &#8211; Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo e tinha a miss\u00e3o de convidar cinco designers para participar de um projeto. Na ocasi\u00e3o, ele prop\u00f4s para o grupo doar o cach\u00ea e participar de uma imers\u00e3o em V\u00e1rzea Queimada, onde ele j\u00e1 trabalhava com o instituto A Gente Transforma (criado por Rosenbaum). Fomos l\u00e1 e cada um criou um objeto. O tempo passou e fortalecemos a amizade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2018, eu soube que o Iabs &#8211; Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade, em parceria com o instituto A Gente Transforma, queria desenvolver um projeto na comunidade Vergel do Lago, em Alagoas. Eu j\u00e1 conhecia aquela realidade, pois morei em um bairro pr\u00f3ximo. Al\u00e9m disso, eu tamb\u00e9m j\u00e1 estava fazendo algumas experimenta\u00e7\u00f5es com a concha do sururu. Entrei em contato com o Marcelo e me coloquei \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. Em 2019, ele disse que tinha fechado o projeto e assim fui convidado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>POINTER \u2013 Como foi o in\u00edcio do trabalho na comunidade Vergel do Lago para a cria\u00e7\u00e3o do Cobog\u00f3 Munda\u00fa?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>RODRIGO AMBROSIO \u2013<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Logo ap\u00f3s eu firmar a parceria com o Marcelo Rosenbaum, n\u00f3s come\u00e7amos a desenvolver um trabalho em Vergel do Lago, regi\u00e3o que fica \u00e0s margens da Lagoa Munda\u00fa, uma das lagoas que d\u00e3o nome ao estado de Alagoas. Primeiro fizemos um festival para buscar os saberes ancestrais da comunidade e trabalhar tamb\u00e9m a autoestima dos moradores. Acredite, um dos grandes problemas na comunidade n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a degrada\u00e7\u00e3o f\u00edsica, mas a mental. Muitos n\u00e3o acreditam no pr\u00f3prio potencial.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Depois, promovemos oficinas, nas quais identificamos alguns talentos, inclusive com Itam\u00e1cio dos Santos (artes\u00e3o de Vergel do Lago que criou o Cobog\u00f3 Munda\u00fa com Ambrosio e Rosenbaum) participando e dando aula. Assim, criamos uma cole\u00e7\u00e3o de produtos com casca de sururu. Tem o cobog\u00f3, lumin\u00e1ria, vasos, fruteiras, casa de passarinho, tijolinho.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_42889\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-42889\" class=\"size-large wp-image-42889\" src=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/36-_WLF4224-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/36-_WLF4224-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/36-_WLF4224-300x200.jpg 300w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/36-_WLF4224-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-42889\" class=\"wp-caption-text\">Itam\u00e1cio dos Santos e Rodrigo Ambrosio na produ\u00e7\u00e3o do Cobog\u00f3 Munda\u00fa<\/p><\/div>\n<p><b>POINTER \u2013 Na sua opini\u00e3o, o Cobog\u00f3 Munda\u00fa \u00e9 o produto desse projeto que tem o maior potencial comercial?<\/b><\/p>\n<p><b>RODRIGO AMBROSIO \u2013 <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Certamente, mas como potencial de quantidade. Assim como outro elemento construtivo, a pessoa compra em uma certa quantidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi esse potencial que eu falei anteriormente, da Pointer chegar na ponta e com muita for\u00e7a. Os arquitetos que especificarem o produto sabem que existe um controle de qualidade, que tem uma hist\u00f3ria. Assim, eles acreditar\u00e3o no produto.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>POINTER \u2013 Quais foram os principais desafios para criar o Cobog\u00f3 Munda\u00fa?<\/b><\/p>\n<p><b>RODRIGO AMBROSIO \u2013 <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Na universidade, ainda estudante, j\u00e1 trabalh\u00e1vamos as quest\u00f5es urban\u00edsticas da lagoa e a <\/span><a href=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/cobogo-mundau-muda-vidas\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">problem\u00e1tica da concha do sururu<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Atualmente, eu estava fazendo alguns testes de resist\u00eancia da concha. Mas n\u00e3o tinha um objetivo definido ainda. Com esse projeto, o produto foi lan\u00e7ado e teve um \u00f3timo retorno, muito sucesso. E agora ser\u00e1 comercializado com a parceria com a Pointer.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_42892\" style=\"width: 740px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-42892\" class=\"size-full wp-image-42892\" src=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pointer-ambrosio-3.jpg\" alt=\"Ambrosio, Itam\u00e1cio e Rosenbaum\" width=\"730\" height=\"477\" srcset=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pointer-ambrosio-3.jpg 730w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pointer-ambrosio-3-300x196.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 730px) 100vw, 730px\" \/><p id=\"caption-attachment-42892\" class=\"wp-caption-text\">Cobog\u00f3 Munda\u00fa faz parte de uma cole\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as produzidas com a casca do sururu<\/p><\/div>\n<p><b>POINTER \u2013 Vamos falar agora sobre seus outros projetos. A Cadeira Engenho foi um marco na sua carreira?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>RODRIGO AMBROSIO \u2013 <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Como elemento, sim. Eu sempre pensei em rapadura como um material em potencial para estruturar um objeto, pois ela \u00e9 dura, tem resist\u00eancia. Mas n\u00e3o tinha muita l\u00f3gica eu desenvolver uma cole\u00e7\u00e3o com a rapadura.<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Em 2015, fui expor meu trabalho na Semana de Design de Mil\u00e3o. L\u00e1, estavam falando muito da Expo Mundial que trabalharia a tem\u00e1tica da alimenta\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Veja como s\u00e3o as coisas. Basta imaginar nossos pais. Eles n\u00e3o falavam em carboidrato, fibra, probi\u00f3tico. Era tudo comida. Na nossa inf\u00e2ncia mesmo, quanto mais corante melhor, pois a boca ficava azul. Mas a situa\u00e7\u00e3o mudou com o tempo. Eu vi todo esse movimento e sabia das nossas caracter\u00edsticas locais e da necessidade de falar sobre alimenta\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Depois, fui convidado para participar de uma exposi\u00e7\u00e3o no Jockey Club, em S\u00e3o Paulo, durante a semana paulistana de design. Foi quando pensei: chegou a hora de fazer, est\u00e1 tudo convergindo para isso. A cadeira \u00e9 o s\u00edmbolo do design de mobili\u00e1rio. Assim surgiu a ideia.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_42893\" style=\"width: 693px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-42893\" class=\"size-large wp-image-42893\" src=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ENGENHO_cadeira-683x1024.jpg\" alt=\"Cadeira Engenho\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ENGENHO_cadeira-683x1024.jpg 683w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ENGENHO_cadeira-200x300.jpg 200w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ENGENHO_cadeira-768x1152.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><p id=\"caption-attachment-42893\" class=\"wp-caption-text\">Cadeira Engenho feita por Ambrosio com 50 quilos de rapadura \/ Arquivo: Rodrigo Ambrosio<\/p><\/div>\n<p><b>POINTER \u2013 Como foi a rea\u00e7\u00e3o do dono do engenho quando voc\u00ea disse que pretendia fazer uma cadeira de rapadura?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>RODRIGO AMBROSIO \u2013<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Fui fazer uma visita ao local e conheci os propriet\u00e1rios e o processo. Depois falei da ideia. Uma cadeira? Voc\u00ea \u00e9 doido? (risadas). Mas o dono comprou a ideia e reativou o engenho do av\u00f4. Acho que, na verdade, ele n\u00e3o colocou muita f\u00e9. Disse: traz a forma e ent\u00e3o veremos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu produzi a forma com compensado naval para aguentar a umidade. No primeiro teste, ficamos curiosos para ver. Ap\u00f3s duas horas, que \u00e9 o tempo normal para a rapadura, abrimos a forma e a cadeira quebrou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na segunda vez, ele disse: leva para Macei\u00f3 e depois mande uma foto. Ap\u00f3s dois dias, o dono do engenho me ligou. Foi quando eu disse: n\u00e3o vou abrir agora a forma. Deixei l\u00e1 por um m\u00eas, eu n\u00e3o tinha coragem. Abri s\u00f3 para fotografar no est\u00fadio. Ela estava l\u00e1, dura, resistente. Embalei novamente e fui para S\u00e3o Paulo. No evento, coloquei uma faca e as pessoas comeram. Quando acabou a exposi\u00e7\u00e3o, acabou a cadeira.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu tive a dimens\u00e3o do que eu tinha feito quando em vi a foto da cadeira em um jornal de circula\u00e7\u00e3o nacional. Nessa p\u00e1gina tinham tamb\u00e9m imagens das pe\u00e7as do Ruy Ohtake, dos Irm\u00e3os Campana e uma reedi\u00e7\u00e3o de uma pe\u00e7a da Lygia Clark. Foi quando pensei: acho que eu fiz um neg\u00f3cio. Inclusive foi um dia dos pais. Eu estava sem falar com o meu pai h\u00e1 muito tempo, desde quando ele se separou da minha m\u00e3e. Nesse dia, eu tirei a foto do jornal e mandei para ele. Por coincid\u00eancia, meu pai estava em S\u00e3o Paulo e fizemos as pazes a partir da\u00ed. Foi algo muito forte.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>POINTER \u2013 Tirando o Cobog\u00f3 Munda\u00fa, quais s\u00e3o os seus projetos atuais?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>RODRIGO AMBROSIO \u2013 <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Trabalho na reedi\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as de Janete Costa (arquiteta pernambucana que destacava as origens da cultura brasileira em seu trabalho. Ela faleceu em 2008 aos 76 anos), pois acredito que falta uma valoriza\u00e7\u00e3o maior. Na \u00faltima Semana de Design de S\u00e3o Paulo, mostramos tr\u00eas pe\u00e7as e agora vamos ampliar a linha. Continuo tamb\u00e9m o meu trabalho no ateli\u00ea, com pequenas tiragens, pe\u00e7as \u00fanicas. Estou, ainda, desenvolvendo uma linha para um hotel e pe\u00e7as em s\u00e9rie para algumas f\u00e1bricas.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_42894\" style=\"width: 1001px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-42894\" class=\"wp-image-42894 size-large\" src=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/GONZAGA_banco-e1591894521378-991x1024.jpg\" alt=\"Banco Gonzaga\" width=\"991\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/GONZAGA_banco-e1591894521378-991x1024.jpg 991w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/GONZAGA_banco-e1591894521378-290x300.jpg 290w, https:\/\/pointer.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/GONZAGA_banco-e1591894521378-768x793.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 991px) 100vw, 991px\" \/><p id=\"caption-attachment-42894\" class=\"wp-caption-text\">Banco Gonzaga \u00e9 mais uma das cria\u00e7\u00f5es de Rodrigo Ambrosio \/ Arquivo: Rodrigo Ambrosio<\/p><\/div>\n<p><b>POINTER \u2013 E sobre os novos materiais? O que esperar?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>RODRIGO AMBROSIO \u2013<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> O que eu posso dizer \u00e9 que me incomoda muito essa quantidade de res\u00edduos que a nossa sociedade de consumo gera. Eu antes n\u00e3o me incomodava em usar um copo descart\u00e1vel. Eu n\u00e3o pensava sobre isso, s\u00f3 pensava em resolver o meu problema, que era tomar dois goles de \u00e1gua. N\u00f3s vamos morrer e o copo que usamos 30 segundo estar\u00e1 l\u00e1.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A cadeira de rapadura j\u00e1 era uma cr\u00edtica ao meu pr\u00f3prio trabalho. O que nos alimenta? Mais uma cadeira ou o alimento em si? Esses questionamentos eu continuo fazendo e est\u00e3o surgindo outros materiais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o quero criar expectativa, pois s\u00e3o experimenta\u00e7\u00f5es. E tamb\u00e9m para ter o ineditismo que a cadeira feita com rapadura teve. Mas acho que tudo caminha por a\u00ed.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O designer Rodrigo Ambrosio conquistou reconhecimento internacional com a Cadeira Engenho, produzida em 2015 com 50 quilos de rapadura do \u00fanico engenho ainda em funcionamento em Alagoas. O alagoano questionava: o que nos alimenta? 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